COMVIDA EM AÇÃO NA 8ª FESTA CAMPONESA EM JARU

                   

O COMVIDA, Comitê de Defesa da Vida Amazônica na Bacia do Rio Madeira, apoiado pelo projeto “Pela Casa Comum seguiremos Juntas e Juntos na Bacia do Rio Madeira”, que conta com o apoio de MISEREOR por meio do INSTITUTO MADEIRA VIVO, realizou um intercâmbio agroecológico durante a 8ª Festa Camponesa: Ecologia Integral e Justiça Climática! Por Terra, Território e Soberania Popular na Amazônia, que aconteceu nos dias 27, 28 e 29 de junho de 2025 na cidade de Jaru, Estado de Rondônia. A caravana do COMVIDA contou com a participação de 20 integrantes adultos e três crianças, do Brasil e da Bolívia, sendo indígenas, extrativistas, campesinas e pescadores.

Diversas atividades aconteceram durante o Evento: orientações, manifestações culturais e espirituais, algumas mesas que debateram assuntos de interesse para a continuidade da vida pela agricultura familiar agroecológica (como resistir no território; desafios atuais das juventudes; espiritualidade e resistência; agroecologia e sociobiodiversidade; saúde mental e biogás), além de oficinas práticas com uma integração das crianças no contexto através das cirandas, contando ainda com uma grande Feira de produtos orgânicos para a comercialização.

 

Para Ana Isabel Ramalho que integra o Movimento de Pequenos Agricultores e faz parte da organização do evento “a Festa Camponesa é um ato permanente das famílias camponesas, sendo construída por muitas mãos, por muitas mentes, por muitos corações, envolvendo nossas mulheres, nossas crianças, nossos idosos, nossa juventude. Ela é uma festa que junta tudo que a gente tem de mais belo no campesinato, do sonho a utopia.

 

Um intenso debate aconteceu durante as Mesas que trataram temas como: a) O Contexto Atual e o Avanço do Capital e b) Capital, Mudanças Climáticas e a Resistência dos Povos, sendo o impacto ambiental causado pelo agronegócio o precursor entre os participantes, gerando um protesto coletivo em prol da continuidade da vida no planeta, com propostas sendo apresentadas e entendidas como solução para frear a atual contaminação pelo veneno que está destruindo nossa vida animal, mineral e vegetal.

Para Beatriz, integrante do Movimento Sem Terra e uma das organizadoras do evento “a Festa Camponesa é uma síntese do que a gente projeta para uma sociedade, nosso projeto de alimentação com soberania na semente. Esse projeto é real é importante é uma necessidade fundamental para a humanidade”

A festa contou também com a grande partilha das sementes, mostrando que cuidar da nossa vida e alimentação é cuidar das nossas sementes. A partilha tem como proposta principal o retorno das sementes no próximo encontro daqui a dois anos.

Instituições de ensino, pesquisa e extensão como a Universidade Federal de Rondônia, o Instituto Federal de Rondônia, entidades como o GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental, contribuíram com reflexões sobre os temas Educação no Campo, Sementes originárias para a multiplicação de alimentos sadios, o impactos de projetos de infraestrutura nos modos de vida dos Povos da Amazônia, além da presença do Ministério Público do Trabalho e Emprego e do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que marcaram presença ao lado do público da agricultura familiar.  

O encerramento dia 29, se deu com a oferta do maior Café Camponês da Amazônia, oferecido para todos os participantes do evento e da cidade de Jaru, os quais puderam se deliciar com a culinária e a alimentação saudável que a agricultura familiar produz e proporciona.

Mais do que uma Festa, uma Feira, esse momento demarca no Estado de Rondônia, com a força do Povo em sua organização, por meio da Via Campesina RO e aliados, que é possível enfrentar o modelo do “agronegotóxico” produzindo e ofertando para toda a sociedade alimentos sadios, livres do agrotóxico que gera doenças e dependências de grandes empresas.

Mesmo sem nenhum apoio financeiro do Governo de Rondônia, que investe milhões em feiras que vendem e promovem o modelo do “agronegotóxico”, a 8ª Festa Camponesa de RO demarcou território de Vida nas margens do rio Jaru e já anunciando que a próxima será ainda maior, porque cada um que levou sementes no momento da troca, assumiu o compromisso de compartilhar onde vive e de trazer mais sementes e mais pessoas comprometidas com a Vida da Ecologia integral.

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